Quais matérias priorizar faltando menos de dois meses para o Exame CFC 2/2026?
- há 1 dia
- 7 min de leitura

Faltando menos de dois meses para o Exame CFC 2/2026, tentar estudar todas as disciplinas com a mesma profundidade costuma ser uma estratégia pouco eficiente. O conteúdo programático é amplo, reúne assuntos desenvolvidos ao longo de toda a graduação e exige tanto domínio conceitual quanto capacidade de interpretar situações contábeis. Nesse momento, a preparação precisa deixar de ser baseada apenas na ordem das matérias e passar a considerar o peso provável de cada área, o nível atual do candidato e a possibilidade de conquistar pontos em menos tempo.
A prova está marcada para 27 de setembro de 2026, das 10h às 14h, no horário de Brasília. Conforme o edital, serão 50 questões objetivas, valendo um ponto cada, e será aprovado quem alcançar pelo menos 25 pontos. O documento lista 13 áreas de conhecimento, mas não determina previamente quantas questões serão atribuídas a cada uma. Por isso, a priorização deve combinar o histórico recente do exame com o desempenho individual nos exercícios.
O objetivo nas próximas semanas não é dominar integralmente cada item do edital. É construir uma preparação capaz de levar o candidato a uma pontuação segura, preferencialmente acima do mínimo exigido, reduzindo a dependência de acertos aleatórios no dia da prova.
A prioridade deve considerar incidência, dificuldade e possibilidade de evolução
Os relatórios estatísticos do CFC ajudam a entender por que algumas disciplinas merecem mais tempo. Nas duas edições de 2025, Contabilidade Geral concentrou 17 das 50 questões. Contabilidade de Custos, Teoria da Contabilidade e Princípios de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade tiveram quatro questões cada. Contabilidade Gerencial, Contabilidade Aplicada ao Setor Público e Noções de Direito e Legislação Aplicada apareceram com três questões cada, enquanto as demais áreas tiveram duas.
Essa distribuição não representa uma garantia para o Exame CFC 2/2026, pois o edital atual não fixa o número de questões por disciplina. Provas anteriores também apresentaram pequenas mudanças. Ainda assim, o histórico mostra que estudar Contabilidade Geral de forma superficial para dedicar o mesmo número de horas a todas as matérias pode significar ignorar uma parcela importante da avaliação.
Uma ordem inicial de prioridade pode ser organizada assim:
Contabilidade Geral, por sua amplitude e presença histórica;
Contabilidade de Custos, Teoria da Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade;
Contabilidade Gerencial, Setor Público, Direito e Legislação Aplicada;
Legislação e Ética Profissional, Auditoria, Perícia, Controladoria, Matemática Financeira, Estatística e Língua Portuguesa.
Essa ordem deve ser ajustada depois de um simulado diagnóstico. Um candidato que já acerta a maioria das questões de Contabilidade Geral, mas erra sistematicamente Custos e Setor Público, não deve continuar distribuindo o tempo como se estivesse começando do zero. Da mesma forma, dedicar muitos dias a uma disciplina extensa para tentar acertar uma única questão adicional pode ser menos produtivo do que corrigir uma dificuldade pontual em Ética, Português ou Perícia.
Priorizar não significa abandonar matérias. Significa definir quanto tempo cada uma receberá. Mesmo as disciplinas com menor quantidade histórica de questões podem fornecer pontos decisivos para quem estiver próximo dos 25 acertos.
Contabilidade Geral deve ocupar a maior parte da preparação
Contabilidade Geral precisa aparecer em quase todos os dias de estudo. Além de historicamente concentrar muitas questões, ela fornece a base para interpretar assuntos cobrados em outras áreas. Quem ainda apresenta dificuldade com débito e crédito, natureza das contas, regimes contábeis ou estrutura das demonstrações provavelmente também terá problemas em Custos, Gerencial, Auditoria e Teoria da Contabilidade.
O edital do Exame CFC 2/2026 apresenta uma área extensa de Contabilidade Geral, abrangendo desde fundamentos, patrimônio e escrituração até reconhecimento, mensuração e apresentação de ativos, passivos, receitas e despesas. Também estão incluídos temas como estoques, imobilizado, intangível, provisões, redução ao valor recuperável, tributos, investimentos e demonstrações contábeis.
Com pouco tempo disponível, o candidato deve começar pelos conteúdos que conectam vários tipos de questão:
estrutura patrimonial, natureza das contas e lançamentos;
reconhecimento de receitas, despesas, ativos e passivos;
estoques, custo das mercadorias vendidas e resultado;
imobilizado, depreciação e redução ao valor recuperável;
provisões, contingências e ajustes;
balanço patrimonial e demonstração do resultado;
operações com mercadorias e apuração do resultado.
A revisão deve ser acompanhada de questões. Imagine, por exemplo, que uma empresa compre uma máquina para utilizar durante vários anos. O candidato precisa reconhecer que o pagamento não representa automaticamente uma despesa integral do período, identificar o ativo imobilizado e compreender como a depreciação afetará os resultados seguintes. Esse tipo de raciocínio é mais importante do que memorizar isoladamente uma definição.
Uma boa proporção é destinar aproximadamente 35% a 40% do tempo semanal a Contabilidade Geral. Isso não significa assistir novamente a um curso completo. O mais produtivo é revisar um tema, resolver questões correspondentes e registrar por que cada erro ocorreu. Quando a falha estiver em um conceito básico, a teoria deve ser retomada. Quando estiver na interpretação ou no cálculo, o candidato precisa treinar o procedimento.
Custos, Teoria e Normas formam o segundo bloco mais importante
Depois de Contabilidade Geral, o estudo deve avançar para Contabilidade de Custos, Teoria da Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade. Nas duas provas de 2025, essas áreas somaram 12 questões. Embora a distribuição possa mudar, elas representam um bloco relevante para quem pretende construir uma margem acima da pontuação mínima.
Em Custos, a dificuldade normalmente não está apenas nas fórmulas, mas na identificação correta dos dados. O estudante deve saber diferenciar custos de despesas, compreender custos diretos e indiretos, fixos e variáveis, além de revisar custeio por absorção, custeio variável, margem de contribuição, ponto de equilíbrio e formação do resultado. Antes de calcular, é necessário entender o que a questão está pedindo e quais valores realmente participam da operação. Teoria da Contabilidade exige domínio dos elementos das demonstrações e da lógica utilizada para reconhecer e mensurar informações. O estudo fica mais eficiente quando esses conceitos são conectados a situações empresariais. Uma obrigação presente decorrente de evento passado, por exemplo, deve ser analisada dentro do contexto de reconhecimento de um passivo, e não apenas como uma frase a ser decorada.
O bloco de Princípios e Normas Brasileiras de Contabilidade merece cuidado porque o edital inclui a estrutura das normas, pronunciamentos aplicáveis e normas relacionadas à sustentabilidade e ao clima. O documento também estabelece que serão consideradas as legislações, normas e resoluções vigentes até 90 dias antes da prova; alterações posteriores a esse limite não serão utilizadas na elaboração ou correção das questões.
Em vez de tentar ler integralmente todas as normas, o candidato deve priorizar os conceitos que aparecem nas operações contábeis: reconhecimento, mensuração, apresentação, características qualitativas da informação e tratamento de itens patrimoniais. Questões anteriores ajudam a mostrar quais partes das normas efetivamente se transformam em situações de prova.
Gerencial, Setor Público, Direito e matérias menores não podem ser ignoradas
Contabilidade Gerencial e Controladoria possuem forte relação com tomada de decisão. Nessas áreas, vale concentrar o estudo em margem de contribuição, ponto de equilíbrio, relação custo-volume-lucro, orçamento, indicadores, avaliação de desempenho e decisões de curto prazo. Como vários desses assuntos também se conectam a Custos, estudá-los em sequência reduz a necessidade de revisar conceitos do início.
Contabilidade Aplicada ao Setor Público costuma gerar resistência porque utiliza estrutura, terminologia e regras próprias. Porém, deixar toda a disciplina de lado pode custar pontos importantes. A revisão deve começar pela composição do patrimônio público, receitas e despesas sob os enfoques orçamentário e patrimonial, variações patrimoniais, registros dos principais fatos e estrutura das demonstrações contábeis aplicadas ao setor público.
Noções de Direito e Legislação Aplicada precisa ser estudada com objetividade. Em menos de dois meses, não é produtivo transformar a preparação em um curso jurídico completo. O candidato deve seguir o conteúdo do edital, revisar os conceitos centrais e resolver questões que revelem como a FGV constrói os enunciados.
Legislação e Ética Profissional também merece atenção: embora historicamente tenha menos questões, os relatórios de 2025 mostram percentuais de acerto relativamente elevados, indicando que pode representar uma oportunidade de pontuação para quem fizer uma revisão direcionada.
Auditoria e Perícia devem ser estudadas pelos fundamentos, agentes envolvidos, objetivos, procedimentos, responsabilidades e documentos produzidos. Em Auditoria, é importante compreender risco, evidência, planejamento, controle interno e tipos de opinião. Em Perícia, devem ser revisados o papel do perito, do assistente técnico, os quesitos, o planejamento e o laudo pericial.
Matemática Financeira, Estatística e Português podem entrar em blocos curtos durante a semana. Juros, descontos, equivalência de capitais, medidas estatísticas e interpretação textual precisam de prática. Não vale consumir várias semanas tentando dominar um tema matemático muito específico enquanto as bases contábeis permanecem frágeis.
Como organizar as semanas finais sem estudar de forma aleatória
O melhor plano é aquele que alterna teoria, questões e revisão. Estudar apenas por videoaulas cria uma sensação de familiaridade, mas não comprova que o candidato consegue resolver uma questão sem ajuda. Fazer exercícios sem corrigir a causa dos erros também produz pouco avanço. Cada sessão precisa gerar uma decisão: manter o assunto em revisão rápida, retomá-lo com profundidade ou avançar para outro conteúdo.
Um planejamento de sete semanas pode seguir esta lógica:
Semanas 1 e 2: Contabilidade Geral todos os dias, acompanhada de diagnóstico nas demais disciplinas;
Semana 3: Custos e Contabilidade Gerencial, mantendo revisões de Geral;
Semana 4: Teoria da Contabilidade, Normas e assuntos patrimoniais relacionados;
Semana 5: Setor Público, Direito, Legislação e Ética Profissional;
Semana 6: Auditoria, Perícia, Controladoria, Matemática, Estatística e Português;
Semana 7: simulados completos, revisão do caderno de erros e retomada dos pontos mais frágeis.
Não é necessário esperar a última semana para fazer o primeiro simulado. O candidato deve realizar uma prova completa logo no início, outra no meio do ciclo e simulados mais frequentes na reta final. Como o exame possui 50 questões e exige 25 acertos, uma meta prudente é alcançar regularmente cerca de 30 pontos nos treinos. Essa margem ajuda a compensar nervosismo, questões inesperadas e erros de interpretação. A correção precisa ser mais longa do que a simples conferência do gabarito. Cada erro deve ser classificado: falta de conteúdo, confusão entre alternativas, cálculo incorreto, leitura apressada ou esquecimento de uma regra. Também é importante revisar acertos obtidos por dúvida ou eliminação, porque eles podem esconder uma lacuna.
Nos últimos dias, o candidato não deve tentar incorporar grandes assuntos inéditos. A prioridade passa a ser consolidar pontos já estudados, refazer questões erradas e preservar ritmo, sono e concentração para as quatro horas de prova.

Faltando menos de dois meses, as principais matérias para o Exame CFC 2/2026 são Contabilidade Geral, Contabilidade de Custos, Teoria da Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade. Em seguida, devem entrar Contabilidade Gerencial, Setor Público, Direito e as demais áreas previstas no edital, sem abandonar disciplinas menores que podem fornecer pontos importantes.
A preparação mais eficiente não tenta estudar tudo igualmente. Ela combina o histórico das provas com o desempenho individual, mantém Contabilidade Geral presente durante toda a semana e utiliza questões para orientar as revisões. O candidato deve buscar uma pontuação consistente acima do mínimo, e não depender de exatamente 25 acertos no dia do exame.
O Meu CRC oferece uma preparação direcionada para essa reta final, com conteúdos organizados, questões e simulados que ajudam o estudante a identificar lacunas, priorizar as matérias certas e transformar as semanas restantes em um plano real de aprovação.




Comentários