Quais CPCs estudar para o Exame de Suficiência?
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Uma das dúvidas mais comuns durante a preparação para o Exame de Suficiência é: quais CPCs preciso estudar para fazer a prova do CFC?
A quantidade de pronunciamentos pode assustar quem está começando. O site do Comitê de Pronunciamentos Contábeis reúne dezenas de documentos, além de revisões, interpretações e orientações, tentar ler e memorizar todo esse material, sem estabelecer prioridades, pode consumir muito tempo e produzir pouco resultado.
O primeiro ponto importante é entender que o edital do Exame de Suficiência não apresenta uma lista fechada dizendo exatamente quais números de CPC serão cobrados. O conteúdo programático inclui Princípios de Contabilidade, Normas Brasileiras de Contabilidade, Teoria da Contabilidade e diferentes áreas práticas, como Contabilidade Geral, Custos, Auditoria e Contabilidade Aplicada ao Setor Público. As questões também podem relacionar conhecimentos de mais de uma disciplina, portanto, não existe um grupo de pronunciamentos capaz de garantir, sozinho, a aprovação. Ainda assim, alguns CPCs tratam de assuntos centrais para a formação contábil e podem receber prioridade durante a preparação.
Preciso decorar todos os CPCs?
Não é necessário memorizar cada parágrafo de todos os pronunciamentos.
O candidato precisa compreender os conceitos e saber aplicá-los em situações práticas. Em vez de tentar gravar textos inteiros, é mais produtivo estudar pontos como:
objetivo e alcance do pronunciamento;
reconhecimento de ativos, passivos, receitas e despesas;
mensuração inicial e posterior;
critérios de classificação;
apresentação nas demonstrações contábeis;
tratamento de perdas, provisões e ajustes;
diferenças entre conceitos parecidos.
Também é importante observar que os pronunciamentos podem passar por revisões. O portal oficial do CPC identifica as versões vigentes e também informa quando uma versão anterior foi revogada, por isso, materiais muito antigos devem ser utilizados com cuidado.
A seguir, apresentamos pronunciamentos que formam uma boa base para o Exame de Suficiência. A seleção não representa uma relação oficial ou uma garantia de cobrança, mas uma ordem de prioridade para organizar os estudos.
1. CPC 00 — Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro
O CPC 00 é um dos melhores pontos de partida porque apresenta conceitos que ajudam a compreender diversos outros pronunciamentos.
Entre os temas importantes estão:
objetivo dos relatórios financeiros;
características qualitativas da informação contábil;
definição de ativo;
definição de passivo;
patrimônio líquido;
receitas e despesas;
reconhecimento;
desreconhecimento;
mensuração;
apresentação e divulgação.
O candidato deve compreender, por exemplo, que um ativo não é definido apenas como um bem pertencente à empresa. A análise envolve a existência de um recurso econômico presente controlado pela entidade como resultado de eventos passados, também é importante diferenciar características como relevância, representação fidedigna, comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade.
O CPC 00 funciona como uma base teórica. Seus conceitos podem aparecer diretamente em uma questão ou ser necessários para interpretar outros temas de Contabilidade Geral. A versão atual indicada pelo Comitê é o CPC 00 (R2), relacionado pelo CFC à NBC TG Estrutura Conceitual.
2. CPC 01 — Redução ao Valor Recuperável de Ativos
O CPC 01 trata do teste de recuperabilidade, conhecido como teste de impairment.
A ideia central é que um ativo não deve permanecer registrado por um valor superior ao montante que pode ser recuperado por meio de seu uso ou de sua venda.
Durante o estudo, dê atenção a:
valor contábil;
valor recuperável;
valor justo líquido de despesas de venda;
valor em uso;
perda por desvalorização;
unidade geradora de caixa;
reversão de perdas.
Uma questão pode apresentar o valor contábil de um ativo e dois valores relacionados à sua recuperação. O candidato precisará identificar o valor recuperável, compará-lo com o valor registrado e calcular uma possível perda.
Também é importante compreender que nem todas as perdas podem ser revertidas da mesma maneira. O tratamento do ágio por expectativa de rentabilidade futura, por exemplo, exige atenção específica.
O CPC mantém como versão vigente o CPC 01 (R1), com aprovação do CFC por meio da NBC TG 01.
3. CPC 03 — Demonstração dos Fluxos de Caixa
A Demonstração dos Fluxos de Caixa é um tema relevante porque envolve tanto conhecimento conceitual quanto classificação de operações.
O candidato deve saber diferenciar os fluxos das atividades:
operacionais;
de investimento;
de financiamento.
Recebimentos de clientes e pagamentos a fornecedores normalmente se relacionam às atividades operacionais. A compra e a venda de ativos de longo prazo costumam aparecer nas atividades de investimento. Já operações envolvendo empréstimos, financiamentos e capital podem estar associadas às atividades de financiamento.
Também vale revisar as diferenças entre o método direto e o método indireto para apresentação dos fluxos das atividades operacionais.
Nas questões, o desafio geralmente não é decorar a estrutura da demonstração, mas classificar corretamente os fatos apresentados ou calcular o fluxo gerado por determinado grupo de atividades.
4. CPC 04 — Ativo Intangível
O CPC 04 aborda ativos identificáveis sem substância física, como determinados direitos, softwares, marcas e projetos de desenvolvimento, desde que sejam atendidos os critérios aplicáveis.
Os pontos que merecem atenção incluem:
identificação do ativo intangível;
controle do recurso;
geração de benefícios econômicos;
reconhecimento inicial;
vida útil definida ou indefinida;
amortização;
pesquisa e desenvolvimento;
mensuração posterior.
É fundamental diferenciar os gastos da fase de pesquisa dos gastos da fase de desenvolvimento. Em regra, os gastos de pesquisa são reconhecidos como despesa, enquanto determinados gastos de desenvolvimento podem ser reconhecidos como ativo quando os requisitos forem atendidos.
Também é importante não confundir ativo intangível com ágio por expectativa de rentabilidade futura.
O pronunciamento está relacionado à IAS 38 e possui aprovação do CFC dentro das Normas Brasileiras de Contabilidade.
5. CPC 06 — Arrendamentos
O CPC 06 merece atenção porque o tratamento contábil dos arrendamentos envolve reconhecimento, mensuração e apropriação de encargos.
Para o arrendatário, os conceitos centrais incluem:
ativo de direito de uso;
passivo de arrendamento;
valor presente dos pagamentos;
taxa de desconto;
depreciação do direito de uso;
juros sobre o passivo;
prazo do arrendamento.
Em uma questão, o candidato pode precisar identificar como o contrato deve ser reconhecido, calcular valores ou analisar os efeitos da operação nas demonstrações contábeis.
O assunto pode parecer complexo à primeira leitura. Por isso, além da teoria, é recomendável resolver exercícios com cálculos e lançamentos simplificados.
6. CPC 16 — Estoques
Estoques são recorrentes na formação contábil e se conectam diretamente a Contabilidade Geral e Contabilidade de Custos.
Os principais pontos de estudo são:
composição do custo dos estoques;
custos de aquisição;
custos de transformação;
gastos que não integram o estoque;
critérios de atribuição de custos;
valor realizável líquido;
reconhecimento como despesa;
redução ao valor realizável líquido.
O candidato deve saber identificar quais gastos podem ser incorporados ao estoque e quais devem ser reconhecidos diretamente como despesa. Também precisa compreender que os estoques devem ser mensurados pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido.
Questões sobre PEPS e média ponderada móvel também podem aparecer dentro dos temas de avaliação e controle de estoques. É importante não confundir esses critérios com métodos que não são aceitos para fins contábeis pelas normas vigentes.
7. CPC 23 — Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro
O CPC 23 costuma gerar confusão porque exige distinguir três situações:
mudança de política contábil;
mudança de estimativa contábil;
correção de erro de período anterior.
Essa diferença é importante porque cada situação pode ter um tratamento distinto.
Mudanças de estimativa, como a revisão da vida útil de um ativo, normalmente produzem efeitos prospectivos. Já erros materiais de períodos anteriores e determinadas mudanças de política podem exigir aplicação retrospectiva.
O candidato deve compreender o significado de tratamento retrospectivo e prospectivo, além de saber classificar corretamente o fato apresentado.
Esse é um bom exemplo de conteúdo no qual a memorização isolada não é suficiente. É necessário praticar com situações concretas.
8. CPC 25 — Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes
O CPC 25 é importante porque trabalha conceitos que frequentemente são confundidos.
Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incerto. Para seu reconhecimento, é necessário analisar a existência de obrigação presente, a probabilidade de saída de recursos e a possibilidade de realizar uma estimativa confiável.
No estudo, diferencie:
provisão;
passivo contingente;
ativo contingente;
obrigação legal;
obrigação não formalizada;
reconhecimento;
divulgação.
Uma questão pode apresentar uma ação judicial e pedir o tratamento contábil adequado de acordo com a avaliação de perda. Não basta associar automaticamente uma possibilidade de desembolso ao reconhecimento de uma provisão. É necessário analisar a probabilidade, as evidências e as condições descritas.
O candidato também deve ter cuidado com os ativos contingentes, que não recebem o mesmo tratamento das provisões.
9. CPC 26 — Apresentação das Demonstrações Contábeis
O CPC 26 aborda a estrutura e a apresentação das demonstrações contábeis.
Entre os assuntos relevantes estão:
conjunto completo de demonstrações;
continuidade;
regime de competência;
materialidade;
agregação;
compensação;
informação comparativa;
classificação entre circulante e não circulante;
apresentação do resultado e de outros resultados abrangentes.
O candidato deve conhecer as demonstrações que integram o conjunto completo e compreender a finalidade de cada uma. A classificação de ativos e passivos em circulantes e não circulantes merece atenção especial. Questões podem apresentar prazos, ciclos operacionais ou condições contratuais para que o candidato determine a classificação correta.
A página oficial do CPC relaciona o CPC 26 (R1) à IAS 1 e informa sua aprovação pelo CFC como NBC TG 26.
10. CPC 27 — Ativo Imobilizado
Ativo imobilizado é um dos temas fundamentais de Contabilidade Geral.
O candidato deve estudar:
critérios de reconhecimento;
composição do custo;
gastos posteriores;
depreciação;
valor residual;
vida útil;
baixa;
mensuração posterior;
revisão de estimativas;
componentes de um ativo.
É importante saber quais gastos fazem parte do custo inicial. Preço de compra, tributos não recuperáveis e custos diretamente atribuíveis podem integrar esse valor, enquanto gastos administrativos gerais e desperdícios anormais normalmente recebem outro tratamento. A depreciação também merece atenção. O candidato pode precisar calcular a despesa considerando custo, valor residual, vida útil e período de utilização.
Outro ponto importante é a revisão periódica da vida útil, do valor residual e do método de depreciação. Mudanças nesses elementos são tratadas como mudanças de estimativas contábeis.
11. CPC 32 — Tributos sobre o Lucro
O CPC 32 pode ser um dos pronunciamentos mais difíceis para quem não possui familiaridade com tributos diferidos.
Os principais conceitos incluem:
tributo corrente;
tributo diferido;
base fiscal;
diferença temporária;
ativo fiscal diferido;
passivo fiscal diferido;
reconhecimento;
mensuração.
O candidato deve entender a diferença entre o resultado contábil e o lucro tributável. Também precisa perceber que determinadas diferenças entre os valores contábeis e fiscais podem gerar efeitos tributários em períodos futuros.
O assunto exige uma base conceitual sólida. Antes de avançar para cálculos mais complexos, certifique-se de compreender a origem das diferenças temporárias.
12. CPC 46 — Mensuração do Valor Justo
O CPC 46 estabelece uma estrutura para mensuração do valor justo.
Os pontos mais importantes incluem:
conceito de valor justo;
preço de saída;
participantes do mercado;
mercado principal;
melhor uso de ativo não financeiro;
técnicas de avaliação;
hierarquia do valor justo.
A hierarquia classifica as informações utilizadas na mensuração em níveis. O candidato deve compreender a diferença entre preços cotados observáveis e dados que exigem maior grau de estimativa.
O CPC 46 não determina, sozinho, quando um item deve ser avaliado pelo valor justo. Ele orienta como realizar a mensuração quando outro pronunciamento exigir ou permitir esse critério.
13. CPC 47 — Receita de Contrato com Cliente
O CPC 47 trata do reconhecimento de receitas decorrentes de contratos com clientes.
Uma forma prática de estudar o pronunciamento é compreender suas etapas:
identificar o contrato;
identificar as obrigações de desempenho;
determinar o preço da transação;
alocar o preço às obrigações;
reconhecer a receita quando ou à medida que a obrigação for satisfeita.
O candidato deve diferenciar o reconhecimento da receita em determinado momento do reconhecimento ao longo do tempo. Também é importante entender situações com múltiplas obrigações de desempenho, contraprestação variável e recebimentos antecipados.
Esse conteúdo pode aparecer em questões conceituais ou em casos que exigem identificar o momento correto para reconhecer a receita.
Como organizar o estudo dos CPCs?
Não tente estudar todos os pronunciamentos em sequência numérica.
Uma ordem mais produtiva é começar pela estrutura conceitual e avançar para os temas mais presentes na Contabilidade Geral:
CPC 00;
CPC 26;
CPC 16;
CPC 27;
CPC 04;
CPC 01;
CPC 25;
CPC 03;
CPC 23;
CPC 47;
CPC 06;
CPC 32;
CPC 46.
Para cada pronunciamento, prepare um resumo curto contendo objetivo, conceitos principais, reconhecimento, mensuração e erros comuns, depois, resolva questões relacionadas ao assunto. A prática mostrará quais partes do pronunciamento realmente precisam de uma nova revisão.
Vale a pena ler o CPC completo?
A leitura integral pode ser útil em pontos específicos, mas não precisa ser o primeiro passo para todos os candidatos, quem está começando pode utilizar materiais direcionados para compreender a estrutura do tema. Depois, deve consultar o texto oficial para esclarecer conceitos e verificar a redação vigente.
Os sumários disponibilizados no portal do CPC também ajudam a obter uma visão inicial, mas não substituem completamente o pronunciamento, o mais importante é não estudar apenas por listas de frases decoradas. A prova pode apresentar uma situação prática e exigir que o candidato aplique o conceito.

Estude os CPCs por meio de questões
Os pronunciamentos ficam mais fáceis quando são associados a exemplos.
Depois de estudar estoques, resolva questões sobre composição do custo e valor realizável líquido. Após revisar imobilizado, pratique cálculos de depreciação e classificação de gastos. Ao estudar provisões, analise diferentes probabilidades de perda, esse processo ajuda a transformar a linguagem normativa em decisões contábeis.
No Meu CRC, o candidato encontra questões voltadas para o Exame de Suficiência e pode identificar quais conteúdos ainda precisam de revisão, o desempenho também permite direcionar os estudos. Se os erros estiverem concentrados em estoques, imobilizado ou provisões, esses temas devem receber prioridade antes do próximo simulado.




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